Sábado, 31 de Dezembro de 2011

Os Tenores, Sopranos e Barítonos assinalados...



Os Tenores, Sopranos e Barítonos assinalados,
Que da oriental Rússia czariana,
Por mares e locais anteriormente renegados,
Passaram ainda além da pátria germaniana,
Em danças e cânticos esforçados,
Mais do que prometia a voz humana,
E entre gente remota edificaram
Nova plateia, que tanto encantaram...

                            (Foto: ATP)

(Inolvidável soirée com o Exército Russo de S. Petersburgo,
dia 27 de Dezembro de 2011, no Tivoli de Lisboa).

Quinta-feira, 29 de Dezembro de 2011

O Tejo e Lisboa

(Foto:ATP)

O Tejo faz-nos partir, Lisboa faz-nos voltar...


Segunda-feira, 12 de Dezembro de 2011

E o regato é já ribeiro e o ribeiro é rio então...



O maior rio 100% português - Mondego, magníficamente documentado em vídeo desde a sua nascente - Mondeguinho, Serra da Estrela, até ao mar e que cabe no eterno poema de Augusto Gil que aprendi e decorei ainda em criança:

Os Rios

Nasce uma fonte
Rumorejante
Na encosta de um monte,
E, mal que do seio
Da terra brotou,

Logo o seu veio,
Transparente
E diligente,
Buscou e achou
Mais baixo lugar.
Ao brotar da dura frágua,
E uma lágrima de água…

Mas esse humilde fiozinho,
Que um destino bom impele,
Encontra pelo caminho
Um outro que é como ele…

Reúnem-se, fundem-se os dois,
Prosseguem de companhia,
E fica dupla depois
A força que os leva e guia…

Junta-se aos dois um terceiro,
Outros confluindo vão,
E o regato é já ribeiro,
E o ribeiro é rio então…

Caminha sem descansar,
Circula através do mundo…
Até à beira do mar
Omnipotente e profundo…

Augusto Gil


                 (Mondeguinho - Nascente na Serra da Estrela)

Terça-feira, 22 de Novembro de 2011

De Évora me estou lembrando!


(A janela do atelier de Évora da pintora Teolinda Pascoal - foto ATP)

Eu não sei, que tenho em Évora
Que de Évora, me estou lembrando
E ao passar o rio Tejo, as ondas
Me vão levando

E ao passar o rio Tejo, as ondas
Me vão levando



Ceifeira, que andas à calma
E à calma ceifando o trigo
Ceifa as penas da minha alma
Ceifas e, leva-as contigo

Ceifa as penas da minha alma
Ceifas e, leva-as contigo



Abalei do Alentejo
Olhei para tras chorando
Alentejo da minha alma
Tão longe me vais ficando

Alentejo da minha alma
Tão longe me vais ficando


Música Tradicional

Sábado, 22 de Outubro de 2011

O Fim do verão de 2011

Costa da Caparica, sexta-feira, 21 de Outubro de 2011: O fim anunciado do longuissimo verão deste ano em mais um dia com temperatura do dito e mar chão.




Quinta-feira, 28 de Julho de 2011

Quarta-feira, 27 de Julho de 2011

O magnífico mergulho no atlântico

 

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Como o tempo corre depressa!

Em 02 minutos e 26 segundos disse adeus e mergulhou…

Então, até amanhã!

Quarta-feira, 4 de Maio de 2011

Um Violino no fado



Um violino com alma de fadista!

Com a alma e a arte de Natalia Juskiewicz...

Domingo, 10 de Abril de 2011

Chineses em Alvalade



Afinal os chineses que o candidato a vice-presidente para o futebol do SCP (recuso-me a pronunciar o seu nome) prometia na sua apresentação à comunicação social, parece que começaram a chegar a Alvalade. Eu, pelo menos, vi três esta noite a subir para os "lugares de leão", de copo na mão, como comprova a foto de telemóvel do meu companheiro de bancada Claúdio Bessa Gomes.
Será que a anedótica conferência de imprensa que fez rir o país, antes do papão FMI se interiorizar nas nossas cabeças, começou, sem se dar conta, a produzir resultados?

Quarta-feira, 16 de Fevereiro de 2011

Hino ao Homem



Imagens extraordinárias do nosso planeta que são um verdadeiro hino ao homem

Quarta-feira, 9 de Fevereiro de 2011

Viva quem canta!



Dizem que o Porto é nação e Lisboa a capital...

Quinta-feira, 13 de Janeiro de 2011

O Almoço dos Reis

O almoço do dia de Reis ou mais um almoço dos reis da TSF - Tertúlia da Sexta-Feira?

O tempo passa!

Já mudámos de ano, a crise agudizou-se, o papão do FMI está outra vez a espreitar à porta e até o habitual restaurante das avenidas novas se modernizou e trocou o nome de Papo Cheio para Chama de Roma.

O que não parece mudar é a TSF que se mantém com todo o seu esplendor.

O esplendor de Portugal!




Bom Ano 2011 senhores Almirante, Generais e Coronéis!

Sábado, 1 de Janeiro de 2011

Ano Novo Vida Nova


                     Que 2011 seja melhor que 2010!

Segunda-feira, 20 de Dezembro de 2010

Tempo de Magia

video
Video: ATP
Silvestre Fonseca convidou os amigos para um concerto de Natal e ofereceu-lhes uma noite de magia...

Sexta-feira, 8 de Outubro de 2010

Depois das vindimas... "El vino"

Sí señor... el vino puede sacar cosas que el hombre se calla; que deberían salir cuando el hombre bebe agua. ...

Terça-feira, 14 de Setembro de 2010

Os Aposentos do Senhor Reitor


Seminário Velho em Donas
Quando em 1953 Vergílio Ferreira publicou o seu livro Manhã Submersa ainda eu era uma criança na idade pré-escolar.

Sem capacidade para a leitura ainda, mas com a percepção que ao meu redor algo se comentava sobre o conteúdo da narrativa vivida pelo personagem António Lopes, aluno do Seminário, e que anos mais tarde, quando pude ler e compreender o livro, constatei ser o alter-ego do escritor, durante a sua formação no velho edifício que foi seminário católico ali a 200 metros da minha casa. Uma outra das figuras centrais do livro era o Reitor, naquele ano já retirado na sua casa de Donas, justamente ao lado da minha e com quem convivia diariamente, provocou em mim  uma sensação de profunda curiosidade e de mistério. Afinal a lenda criada pelo livro era uma realidade com figuras e factos do meu dia a dia e ao meu inteiro alcance.


Vergílio Ferreira com o realizador Lauro António
junto ao antigo Seminário

O vestuto edifício do antigo seminário era já nesse ano um casarão desabitado, misterioso e em decadência. E o Reitor, apesar do perfil descrito na Manhã Submersa não corresponder à minha visão, era afinal o Monsenhor que me ensinava a ler latim para o poder acolitar na missa que rezava diariamente na sua capelinha privada na porta ao lado da minha.

Nos anos subsequentes o antigo seminário, transformou-se em Obra de Socorro Familiar para rapazes de famílias desestruturadas mais uma vez sob o impulso do Monsenhor, que concomitantemente era deputado na Assembleia Nacional do Estado Novo.


Meio século depois o antigo seminário adaptou-se aos tempos modernos e é hoje um magnífico hotel - o "Príncipe da Beira".

Hotel Princípe da Beira (Antigo Seminário)
Foi com grande emoção que há pouco dias voltei a entrar naquele lendário edifício para ali pernoitar e o acaso destinou-me um quarto na ponta norte do primeiro andar, precisamente o lugar dos aposentos do Senhor Reitor.


Quarta-feira, 25 de Agosto de 2010

As Praias deste Verão

Ao alcance de uma pequena viagem de automóvel:


NAZARÉ



S. MARTINHO DO PORTO


ERICEIRA


PORTINHO ARRÁBIDA 


AZENHAS DO MAR
PRAIA MAÇÃS
COSTA DE CAPARICA
MECO
SESIMBRA
COMPORTA
TRÓIA

Sexta-feira, 30 de Julho de 2010

Carta aberta ao meu putativo vizinho do "Farmville"



Nem que a torre do Santuário do Sameiro, que você vislumbra da sua mesa de trabalho, caia, eu alguma vez aceitarei ser seu vizinho virtual na quinta do farmville!

Mas que coisa agora, amigo AFF, querer plantar virtualmente nabos ou mungir vacas, agarrado ao rato do computador?

Eu que o conheci, como um agricultor diferente dos outros, no tempo do PREC (processo revolucionário em curso) há dezenas de anos, com formação superior em engenharia mas sempre equipado com fato de campanha, um grande jipe todo-o-terreno, e um sabujo cão pastor alemão, ali destacado pela sua nobre família, a guardar as suas terras das Beiras contra as investidas dos que as queriam ocupar para fazer a reforma agrária, agora deu nisto?

Não, não e não!

Prefiro recordar o tempo em que caminhavamos, a pé ou de jipe, na imensidão das suas quintas enquanto você dirigia os trabalhos agrícolas mas também e sempre à pesquisa da melhor barragem ou charca para pescar barbos, achigãs ou carpas.

Lembra-se como os peixes saltavam nas águas calmas e lisas daquelas lagoas logo ao nascer do sol, parecendo um espelho a estalar, não querendo saber do nosso isco cuidadosamente posto com o anzol na ponta da linha?

Pois é, como pescadores eramos uns autênticos amadores, cinco ou seis exemplares era um luxo, mas como "gourmets" uns autênticos profissionais!

Lembra-se que o meio-dia nunca mais chegava para darmos por finalizada a nossa missão e podermos atacar aquilo que mais gozo nos dava e que no fundo era também o nosso grande objectivo? Saborear uma lebre com feijão, um coelho bravo à caçador, ou um faisão à moda do dono das tabernas que iamos descobrindo por montes e vales.

Lembra-se também quando combinámos uma pescaria em Espanha e um dia a coisa correu mal?

Era o primeiro verão pós revolucionário e haviamos acertado encontrarmo-nos na barragem de Alcantara para pescar num sábado. Você, que gostava de aventuras e ar livre, resolveu avançar, sem mim, de véspera e dormir no seu jipão com o inseparável sabujo na margem da barragem. Tudo bem, se as circunstâncias fossem outras, ou seja, não tivesse havido uma revolução em Portugal e os espanhóis não andassem desconfiados e vigilantes com a mania das bombas que os "esquerdalhos terroristas" portugueses ameaçavam pôr.

Pois bem, você foi detectado em ponto sensível, detido para averiguações e a Guardia Cívil de Alcantara ofereceu-lhe, "simpaticamente", dormida debaixo de telha nas suas instalações.

Para convencer os "nuestros hermanos" que era uma pessoa de bem, disse-lhes então que um amigo, colega de pescarias, haveria de se encontrar consigo para iniciar a programada faina, logo bem cedo no sábado, na Plaza Mayor de Alcantara.

Efectivamente, quando cheguei ao local, uma guarda de honra policial esperava-me e perante o meu espanto, perguntou-me:

- Usted, tiene un amigo con un perro y un todo-terreno?
- Sí, claro! Debe estar en el Café Central como acordado antes de pescar.
- No, por supuesto, de momento se encuentra todavía en el cuartel de la guardia.
- En el cuartel de la guardia, pero por qué?
- Bueno... lo vamos a liberar inmediatamente pues usted confirma lo que su amigo nos ha dicho ayer por la noche en el embalse que su intención eres solamente pescar ...

Ainda, incrédulo, vejo-o a si, passado algum tempo, finalmente ao longe, caminhar meio zonzo, talvez por causa de uma noite mal dormida, puxado pela trela do fidelíssimo pastor alemão, na minha direcção e, como sempre, tudo acabou em bem:

Com um bom "revuelto de esparrágos" e uma excelente "tortilla" à espanhola.

E a pesca? A pesca, mais uma vez, que se lixe!



Quarta-feira, 21 de Julho de 2010

O General, O Coronel e O Sabujo


Não sejas sabujo, pá!

Estás do lado dele porque ele é General e eu sou Coronel?

Claro, Coronel! Sempre é mais simples o General livrar-me da tropa dos séniores que vai ser obrigatória, não sei se sabe, que o senhor, que é só Coronel...

Este diálogo militarizado que conheci, quando por lá passei, há quase quarenta anos, culminou o almoço acalorado da tertúlia de amigos das sextas-feiras, que muito aprecio.

Mas quem manda um civil discutir com militares o perfil de João Franco, primeiro-ministro da parte final do reinado de Dom Carlos?

Apenas a particularidade de na minha juventude de estudante liceal o mesmo João Franco ser um símbolo da rivalidade.

João Franco era a figura máxima do Alcaide, terra fronteira da minha que era Donas. E em Donas, naquele tempo, a única arma que encontrei para contrabalançar os meus colegas do Alcaide, era um cabeça de estátua, natural da terra, João Pinto dos Santos, postado num granítico pedestal, e onde encontrei gravado em letras douradas: "Honra do Foro e do Parlamento".

Claro que em honrarias a minha terra estava nítidamente em plano subalterno e alguma coisa teria de ser feita para salvar o bom nome do povo donense. Nada como desafiar os do Alcaide para um jogo de bola no seu largo principal. Lembro-me que marquei o golo da vitória em terra do "inimigo" e tive que fugir por montes e vales para não levar uma coça.

Mas, ao mesmo tempo, o meu amigo Tony, ANTÓNIO Manuel Oliveira GUTERRES, o menino sábio, com quem passava as intermináveis tardes do verão beirão, no terraço da casa do seu avô, jogando xadrez ou às damas, se encarregou de me explicar quem era João Franco, coisa que, à época, ainda não constava nos manuais de história do liceu.

Tony, que viria a ser sucessor, quase 100 anos depois, no mesmo cargo de primeiro-ministro do nosso vizinho rival, nos intervalos das jogatanas de tabuleiro, em que por regra o "score" era 60/40 a seu favor (mas atenção que ele respeitava as minhas tácticas de ataque!), contava-me, enquanto bebiamos a fresca limonada preparada pela sua avó, o que sabia sobre o tema.

E a ideia que na altura formei de João Franco, homem pequenino, que falava "achim" e com tiques anti-democráticos, pouco ou nada se modificou pelas leituras complementares.

Mas a personagem persegue-me. Nas discussões estéreis com os colegas do liceu, no primeiro raspanete a sério no escritório do meu Pai, na Rua João Franco e, agora, acaloradamente, na mesa da melhor tertúlia de amigos. É obra!

Mas saiba V.Exa., meu Coronel, que só conheci um verdadeiro "sabujo". Era o cão preferido do Sherlock Holmes, o tal dos criptógramas, e a quem o "sabujo", leal e cordialmente, prestou inestimáveis serviços, ajudando-o a decifrar os enigmas.

Terça-feira, 20 de Julho de 2010

Quarta-feira, 30 de Junho de 2010

Navegadores



"Porém já cinco Sóis eram passados
Que dali nos partíramos, cortando
Os mares nunca doutrem navegados,
Prósperamente os ventos assoprando,
Quando uma noite estando descuidados,
Na cortadora proa vigiando,
Uma nuvem que os ares escurece
Sobre nossas cabeças aparece."



"Tão temerosa vinha e carregada,
Que pôs nos corações um grande medo;
Bramindo o negro mar, de longe brada
Como se desse em vão nalgum rochedo.
— "Ó Potestade, disse, sublimada!
Que ameaço divino, ou que segredo
Este clima e este mar nos apresenta,
Que mor cousa parece que tormenta?"



"Não acabava, quando uma figura
Se nos mostra no ar, robusta e válida,
De disforme e grandíssima estatura,
O rosto carregado, a barba esquálida,
Os olhos encovados, e a postura
Medonha e má, e a cor terrena e pálida,
Cheios de terra e crespos os cabelos,
A boca negra, os dentes amarelos."



"Tão grande era de membros, que bem posso
Certificar-te, que este era o segundo
De Rodes estranhíssimo Colosso,
Que um dos sete milagres foi do mundo:
Com um tom de voz nos fala horrendo e grosso,
Que pareceu sair do mar profundo:
Arrepiam-se as carnes e o cabelo
A mi e a todos, só de ouvi-lo e vê-lo."



"E disse: — "Ó gente ousada, mais que quantas
No mundo cometeram grandes cousas,
Tu, que por guerras cruas, tais e tantas,
E por trabalhos vãos nunca repousas,
Pois os vedados términos quebrantas,
E navegar meus longos mares ousas,
Que eu tanto tempo há já que guardo e tenho,
Nunca arados d'estranho ou próprio lenho:"



— "Pois vens ver os segredos escondidos
Da natureza e do úmido elemento,
A nenhum grande humano concedidos
De nobre ou de imortal merecimento,
Ouve os danos de mim, que apercebidos
Estão a teu sobejo atrevimento,
Por todo o largo mar e pela terra,
Que ainda hás de sojugar com dura guerra."



— "Sabe que quantas naus esta viagem
Que tu fazes, fizerem de atrevidas,
Inimiga terão esta paragem
Com ventos e tormentas desmedidas.
E da primeira armada que passagem
Fizer por estas ondas insofridas,
Eu farei d'improviso tal castigo,
Que seja mor o dano que o perigo."

(Lusíadas - Canto V)

Terça-feira, 22 de Junho de 2010

O Ketchup que virou Setechup



O Cristiano Ronaldo afinal tinha razão!

Quarta-feira, 9 de Junho de 2010

A Toca do Caboz - Since 1949

Era tempo de guerra colonial, centenas de cadetes, futuros oficiais milicianos, recebiam a sua breve, mas intensa, formação militar em Mafra. África era o destino. Fazer a guerra e voltar vivo e inteiro era o grande objectivo.

A preparação física e psicológica, a motivação e liderança, a táctica e estratégia, ministradas na Tapada, eram intensivas e desgastantes, mesmo para gente de 20 e poucos anos.

Havia que compensar o corpo e a alma de tão grande desgaste e logo que a hora da liberdade chegava,  a corrida para a Toca do Caboz na Ericeira ganhava foros de prioridade. Ali chegados e garantido o lugar à mesa, o resto ficava por conta da imaginação e da perícia culinária das irmãs Ana Maria e Odete.

Para minha surpresa, passados todos estes anos, reencontrei a Toca do Caboz, o magnífico restaurante de outrora, a funcionar em pleno, agora sob a gerência do sobrinho Luis.

Como um final de tarde de Junho, degustando um petisco dos deuses - choquinhos à moda da casa - nos pode fazer reviver intensamente o passado?

Um passado, já longínquo, de mais de 40 anos!

Há coisas que não morrem!

Quinta-feira, 20 de Maio de 2010

Em Espanha com bom vento e um bom casamento !

Diz o velho ditado português que "De Espanha nem bom vento nem bom casamento!"

Na verdade, os ventos vindos de leste são bem mais desagradáveis que os do lado do mar que amenizam o nosso clima e os casamentos arranjados aos nossos reis, pelos nossos vizinhos, significavam normalmente dependência política.

E o problema agravava-se quando do lado de lá despachavam uma princesa como Carlota Joaquina para o nosso futuro rei João VI. Com esta andaluza de menos de um metro e meio, anafadinha e feia, o bom do João preferiu caçar javalis e dormir sózinho no convento em Mafra...

Mas os ventos mudaram!

E nem a ameaçadora nuvem de cinzas vulcânicas me fez parar na caminhada para testemunhar, na Costa Brava da Catalunha, sob um suave vento mediterrânico, um bom casamento.

Da Maria, "La catalana", com o Jorge, "El peruano".

Ambiente magnífico, que começou na igrejinha de Santa Rosa em Llafranc, junto ao mar, e se prolongou pela noite dentro no paradisíaco "El Far" com soberba vista para a imensidão do Mediterrâneo.

Gracias Maria y Jorge, muchas felicidades para vosotros!



Jamás olvidaré la entrada triunfante en "El Far" con "A Canção do Mar" de Dulce Pontes con que has distinguido un par de portugueses entre centos de invitados de distintos idiomas.   
                                                              Fotos: ATP

Segunda-feira, 19 de Abril de 2010

Da Sopa da Pedra à Nova Esquerda

                                             Foto: ATP

Almeirim, 17 de Abril de 2010

Da lenda da sopa da pedra, recordo que o frade chegou a uma localidade, meio cansado e com a barriga a dar horas, bateu à porta dum simpático casal de idosos, dizendo-se capaz de fazer uma maravilhosa sopa a partir da pedra que empunhava. E, iludindo os hospedeiros, conseguiu fazer uma deliciosa refeição com os melhores produtos que estes, com o seu trabalho, semearam, criaram e colheram. E depois de reconfortado, o frade lavou a pedra e saíu para pregar noutra freguesia...

Enquanto comia a excelente sopa da pedra no restaurante pioneiro da dita, em Almeirim, constatei então que esta lenda, nos tempos que correm, não poderia ser mais actual e, mais grave ainda, estes "frades" ilusionistas multiplicaram-se exponencialmente e estão em todos os lugares do poder e de decisão.

E o país parado, com os seus cidadãos descontentes, protestando entre si, insultando, dizendo mal, mas cada vez mais acomodados no seu sofá, seguindo as quotidianas novelas de mais um escândalo que agora abrem, por regra, os telejornais.

Mas para contrariar e combater esta actual situação é necessário lançar os fundamentos de uma nova sociedade, como prevê a Declaração Política do Movimento Nova Esquerda, que tive a oportunidade de ouvir na Assembleia de Almeirim e da qual extraí o parágrafo seguinte.

"Uma nova sociedade solidária, submetida aos valores supremos da justiça, que saiba valorizar os méritos de todos quantos contribuem para o progresso social e que seja capaz de punir quem comete crimes graves, uma sociedade criativa na cultura, na educação, nas artes e na economia, uma sociedade ecológica que saiba preservar os seus recursos e a diversidade da natureza, que combata o desperdício e promova o consumo inteligente e adequado ao desenvolvimento justo e equilibrado dos cidadãos num quadro de sustentabilidade económica e ecológica, uma sociedade que valorize a felicidade individual, uma sociedade que invista no conhecimento e na ciência."

Foto: ATP